Mercado de Cafe

06 Jan 2020

Cafés especiais ajudam produtores de Minas a conquistar novos mercados

Patrocínio/MG, ​Cafeicultores da região do Cerrado Mineiro, estão expandindo o cultivo de grãos especiais e apostando em um certificado de origem para valorizar sua produção e conquistar novos

Patrocínio (MG) ​Cafeicultores da região do Cerrado Mineiro, no noroeste do estado, estão expandindo o cultivo de grãos especiais e apostando em um certificado de origem para valorizar sua produção e conquistar novos mercados.

Para ser chamado de especial, o café deve ser livre de impurezas e seguir parâmetros de aroma e sabor (ter acidez equilibrada, por exemplo), entre outras exigências, de acordo com a Associação Brasileira de Cafés Especiais.

O investimento nesse cultivo atende a uma demanda crescente. Segundo estimativa da entidade, o consumo nacional de cafés especiais aumentou 15% entre 2018 e 2019, chegando a 72 mil toneladas.

Na fazenda Semente, no município de Patrocínio, a duas horas de Uberlândia, o plantio desses cafés começou há dois anos. Na última colheita, os grãos especiais representaram cerca de 10% da produção.Virgínia Siqueira, 50, dona da propriedade, diz que o café especial ajuda a abrir mercados, mas requer mais cuidados que o produto comum, da lavoura à armazenagem.

Para conseguir cafés de nível superior, muitas vezes é preciso fazer a colheita manual, na qual são selecionados com maior precisão os grãos maduros, que vão proporcionar doçura à bebida.

A família da agricultora atua no Cerrado Mineiro desde os anos 1970, quando a cafeicultura se iniciou por ali, segundo a Federação dos Cafeicultores do Cerrado. “Naquela época, ninguém acreditava que era possível produzir um produto de qualidade na região”, afirma Virgínia.

Mas avanços foram conseguidos com a adição de calcário para corrigir o solo ácido e com o desenvolvimento de sistemas de irrigação, entre outros processos.

Cerca de 40 anos depois do início do plantio, a área —que compreende 55 municípios, entre eles Patrocínio— conquistou a denominação de origem Região do Cerrado Mineiro, a primeira voltada a cafés no país.

Regulamentado pelo Inpi (Instituto Nacional de Propriedade Industrial), o título indica que os grãos produzidos ali têm características exclusivas, relacionadas àquela localidade e ao conhecimento dos seus produtores.Para obter a denominação, o cafeicultor precisa cumprir uma série de exigências.

Por exemplo: plantar grãos da espécie arábica e produzir um café com no mínimo 80 pontos na escala que vai de zero a cem da SCA (Specialty Coffee Association). A classificação considera diferentes critérios, como aroma, sabor, acidez e maturação dos grãos.

O café especial, com selo denominação de origem, é usado pelo cafeicultor para mostrar a qualidade da sua produção. Mas é comum que ocupe só uma parte da lavoura, em razão do maior rigor exigido, diz o engenheiro agrônomo Juliano Tarabal, superintendente da Federação dos Cafeicultores do Cerrado.

Também de Patrocínio, o cafeicultor Alan Michel Batista, 21, estima que 20% dos 13 hectares de sua fazenda sejam dedicados a grãos com selo de denominação de origem.

Alan decidiu cultivar cafés especiais há dois anos, para renovar a produção familiar, que começou com seu avô.

“Investimos aos poucos porque ainda é um mercado em fase inicial. Mas, com os resultados, já deu para aumentar a produção”, diz ele, que trabalha ao lado da mãe, Geralda Francisca Batista, 51.

O agricultor recebe, em média, R$ 480 pela saca (60 quilos) de café comum. A de especial pode chegar ao triplo desse valor.

Para aprimorar a produção, Alan construiu um terreiro suspenso, no qual os grãos ficam em uma espécie de cama elevada feita com telas, que proporciona uma secagem mais lenta e homogênea.

O processo difere do método mais comum, chamado de terreiro, feito no chão de um pátio. O investimento de R$ 7.000 na estrutura foi pago em cerca de um ano.

 

Notícia na íntegra no link abaixo:

https://www1.folha.uol.com.br/mpme/2020/01/cafes-especiais-ajudam-produtores-de-minas-a-conquistar-novos-mercados.shtml?utm_source=whatsapp&utm_medium=social&utm_campaign=compwa

Fonte:Folha de São Paulo

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